OESCAMBAL
terça-feira, outubro 31, 2006
Caio Ricardo Bona Moreira


O senhor maravilha
Uma biografia não autorizada de dois negros e um só blues
...

O banzo das Américas é o banzo dos habitantes das margens do rio Mississipi. É blues que faz doer. O blues é universal, universal como a dor. O banzo brasileiro vem de Desterro, atual Florianópolis. Quando passo pelo Mercado, próximo à ponte Hercílio Luz, fico sentindo o cheiro de peixe e mar, pensando num poeta, dandy-iorubá, que transitava por aquelas cercanias. Ele não conhecia o Mississipi, mas sentia “banzo”, o azul mais triste desse mundo, silencioso como um soluço. Já vejo um nego com uma “gaitinha” na boca. O velho com um banjo na mão. Esse banjo é banzo! Quer me dizer onde estou? É blues que faz doer. De onde vem essa tristeza?

Num bar escondido, localizado atrás de uma fábrica velha de sapatos de couro, na periferia de New Orleans, David Howphey entra para trabalhar. Assim faz todas as noites. Todos o cumprimentam. David é o feiticeiro da noite. Andar sincopado como o ritmo da música que sente nos seus velhos ossos. Eles já fazem barulho. Quando um bluesman fica velho é que tem maiores chances de conseguir alguns trocos a mais. É tristeza acumulada. Estojo de banjo na mão, unhas compridas e bem limpas, óculos com correntinha de prata para não perdê-los, e botas, daquelas fabricadas ali mesmo. David senta num banquinho e chora o banjo sem lágrimas. O velho agora é acompanhado por um pianista branco, e um trompetista quase negro, exímio como qualquer um que toca trompete por mais de vinte anos e que mora por ali. Nem precisa do violão. Toda noite, quando termina a última música, David se reúne com os jovens negros para tomar uma cerveja. O velho, que nunca ouviu falar de Cruz e Sousa, aconselha: “Cry, baby, cry...É preciso ser muito triste pra nunca se deixar chorar. Não basta técnica. Esse lamento é o mais triste dos choros, pode ter tristeza maior?”. Os jovens saem satisfeitos com a performance do “senhor maravilha”, como costumam chamá-lo.

Quando o navio negreiro atracou na costa americana, e os negros foram plantar algodão nas fazendas do sul, o espírito do banzo, além do spleen-burguês-capitalista-europeu, abateu o negro, que transformou seus nervos em aço, seus lamentos em blues. Depois vieram outras coisas. Mister Johnson, um saxofonista sexagenário de Geórgia, nem desconfiava que aquela música cantada nos campos de trabalho se transformaria num emblema da raça.

O senhor Howphei lava as suas próprias roupas. Mora sozinho desde que a sua mulher Frannie foi assassinada por um membro dos Cavaleiros do Branco Camélia. Ficou mais fácil cantar o blues e mais difícil viver. Frannie é agora motivo de blues e o nome do velho banjo. Ela costumava chamar o seu grande amor de “My Day”. Agora, a única companhia de David é um cachorro de treze anos, cego de um olho. David está quase cego dos dois. O velho senta na varanda, mira a vizinha gorda e negra que estende roupas no varal, e pega o banjo. Daniel, o cachorro mais rouco da redondeza, se aproxima. É banzo. Todas as almas se entendem na dor. E eles se consolam na música. Cry, baby, cry.

Gavita enlouqueceu. Quem é o louco da imortal loucura? Sina de mágoa. Teria que ser assim? Será que ele gostava desse cheiro de peixe e mar? Deixe-me simbolizar. A Gavita enlouqueceu. O mulato tocou banjo e fez um soneto. Depois pegou um trem e morreu. Essa cruz era a do senhor maravilha. Já posso ouvir a música. Vem lá. Não posso chorar, mas estou quase chorando. Vem lá daquele navio. Era um sonho dantesco. Um de raiva chora, o outro enlouquece! É uma voz meio rouca. Chega em Desterro ou no Mississipi? Será a voz de Daniel? Ela traz o negro! Ela traz o blues! Cry, baby, cry.

caio ricardo bona moreira 3:35 PM


segunda-feira, outubro 30, 2006
exercícios


L. M. de Souza 11:29 AM


sexta-feira, outubro 27, 2006
Quântica II

Li que alguns teóricos quânticos defendem a teoria da duplicidade como essência fundamental do universo. Ou seja: com o big bang, criaram-se na verdade dois universos; um que é este que se vê e o outro exatamente igual mas oposto, e para sempre invisível: o UNIVERSO SOMBRA.
Os planetas-sombra, as estrelas-sombra e as pessoas-sombra são feitos de partículas-sombra (que nunca ninguém viu, mas são comprovadas cientificamente por causa de sua força gravitacional) e ocupam o mesmo espaço-tempo quadridimensional que nós.
Muito bem. Disso deduzi várias coisas:
1 - Fantasmas devem ser quando alguém morre neste universo e não morre no outro, ficando por aí uma sombra sem dono.
2 - Vampiros devem ser quando alguém morre no outro universo e não morre neste, ficando por aí um dono sem sombra.
3 - "Nada me completa mais do que o que me falta."
4 - A alma é sempre inteira.

***

Minha aflição é não poder ficar só olhando a vida, como ela é, bonita vista de fora. Um grande painel de recortes de cenas de momentos de personagens de pessoas de alma boa. (Todas as almas são boas.)
Olhando, olhando, as nuvens que viram formas que viram prédios que viram ruas que viram pombas que viram tudo (de cima as pombas têm uma visão muito boa.)
Como observadora, compreendo melhor. Como observadora, não me sinto ameaçada e então se revelam AS BELEZAS EXTRAORDINÁRIAS. Como a dor, a perda, o pratinho esmaltado da criança na creche. A solidão.

***

A outra aflição que tenho é não poder exatamente o contrário. Ficar só vivendo, sem a consciência dos universos simultâneos que, ao me olhar, me dispersam.


ludelfuego 3:40 PM


terça-feira, outubro 24, 2006
Caio Ricardo Bona Moreira

O ARREPENTIDO

Não quero sasaber de mais nanada. Foi um sosôco na boca. Não, não, na barrirriga. Está entendendo? Foi, foi isso mesmo. Não, não. Eu não escrecreve via assim, assim. Mas agora piorou. Tentei proproteger com a mão. O miserarável quebrou meus ossosos. Dededo da Dédalo duro. Não dededuduro mais. Só dededo mole. Mementira. Fafalei que não fui. Didisse que eu era um cacagogo-eta. Quirodác-dác-ti-tilo. Fufura-bolo, o papai de todos. Deu uma a uma trememenda trememedeira. Dedemoro quase umas duas horas pra escrever. O meu mémédidico dididi......disse que é é irrever.........irreversículo. A lin-lingüística ex ex plica. Não expliplica nanada. Não é bibília? Não fafalo mais assim. Só escreeeeeeeeeeeeeeeeeevo assim. Não explica poporra nenhuma. A medicina aindadá não descobriu. Dadá é popoema sem sem sen sentido. Meu textoto ta loloco, mas não é dada. O doudoutor titiroou uma sasarro: “vá cantatar ou escreve ver aquequelala do nono-el, um gagago apaixonado”. Do Rorosa? Eeeeeessa, memesmo! Eeeeeeeeeeta. Quem quem ele pepensa que quem é? Não o Rorosa, o dodoutor. Com quequem ele ta falalando, eu não sou de trololó. Depopois incentivou: “vovocê já leu Jojoyce?” “Jojoca?” “Não, Já James Joyce” “Já”. É claclaro que não falooooooou assim, sim! Fafalou sem rerepetir.Eu é que arrerrepito. É claclaro que sim. Fo-foi depois de le le lo, não é memesosóica, ou meulhor mesosóclise, disso que quebraram minha mamãe, não, mamão, não a frufruita, nem a bibicha fortuita, a mamão do quiqui-ro-dáaaaaaaactilo, de dededo. Agora vai me deixar de castigo? Não a mama-mão, o memédico. O sesenhor é que é o do-dor-doutor tá? Fu fui me me embora. De-deixe que eu guarde os meus pleonasmomos, meus propobleas. Só escrevovo assim, sim! Não fafalo lo assim. Foi aquele que que quebrou o meu dededo. Dá demais dó deles. Não Dele, dedeles, dos de dedos, não de quem quebrou o dededo. Quem sasabe se eu escrever ver só cocomo vê vejo ou como, como não, não de cocomida, como quem falo, sim? Aí alguém me atende, entetende? Se eu ficar fafalando é memelhor, o meu mel do melhor. Ahhhhh, o doutor riu. O meu memeninozizinho lê popoesia? É claclaro que ele não fafalou assim, sim? Ele não arrerepete as papalávoras. Eu é que arrererepito, e já to arrepentido. É claclaro que sim, sim! Eu leio. E o sese-senhor e-e-endente de popoesia, se não me achamaria de popoeta, entende? Ah, que mamandou eu ser tão dededo do duro, minha mamão não taria ta tá tão boboba e tão estutúpida. Me arrerenego.

caio ricardo bona moreira 8:22 AM


segunda-feira, outubro 23, 2006
belasartes

A poesia, bela arte, parnasiana ou joyce-oswald-leminskiana, é prazer. Prazer é estética. Pode haver tanta estética numa ambigüidade quanto na bunda da Juliana Paes, ou nos olhos na Jeniffer Conelly. A diferença entre ambas é fundamental. O tipo de prazer estético que nos causam é fundamental. Uma nos á prazer estético por ser um recurso da arte da palavra. A outra nos causa o prazer pela hipótese do prazer da carne. União: carne e linguagem são instintos! Mas quero falar aqui de um tipo de poesia: a visual (não ligada a carne). Cada vez que vejo um filme oriental percebo que há uma carga de poesia imensa na imagem oriental. O quadro, a luz, o foco. É como se em cada cena, a cada quadro, uma fotografia fosse tirada (e não é essa a idéia por detrás?). Em “o clã das adagas voadoras”. Há uma cena em que no meio da floresta de bambus até os personagens tornam-se verdes, a cena reveste-se de uma poesia que dói. Não dor física. É um dor de saber, de duvidar que alguém pode fazer uma coisa dessa. Fundamental os olhos do diretor, os olhos que vêem a cena detrás da câmera e diz: oquei, é isso mesmo! Ou na cena dos “sonhos” de Kurasawa, em que van Gogh pinta no campo de trigos e passa pela ponte da estrada vicinal, uma ponte simples e absurdamente interessante pela sua cor e forma. A natureza é revestida de uma cor, que aos nossos olhos talvez fosse imperceptível, olhos vestidos, porque aos olhos nus tudo seria possível ver. O que o cinema faz, é nos mostrar essa pequena poesia que está na cor dos bambus, no amarelo dos campos de trigo, no reflexo de uma ponte na água. Para mim a função da arte é essa, sobretudo e antes de tudo, mostrar a poesia das pequenas naturezas à nossa volta. Seja a graça da linguagem e seus jogos, um mendigo manco subindo uma ladeira, os quintanares da existência. Pois é isso que nos faz sentir-se vivos e parte dessa maravilha.
Luisandro tenta dizer alguma coisa que valha a pena se lida por aqui sempre às segundas...
ps. tentei, mas não consegui colocar imagem no post.

L. M. de Souza 2:11 PM


sexta-feira, outubro 20, 2006


Eu permito.
Sem considerar nenhum outro desejo que não o de agora.
Sem considerar nenhum passado entre nós ou qualquer possibilidade de futuro.
Permito.
Entrego confiando nos teus olhos todos os passos que nos permitimos até aqui.
Onde zeramos nosso antes e interrogamos o nosso depois.
Aqui eu tiro a roupa dos dias e exijo a tua nudez de homem e o vermelho da tua boca, a maciez da tua pele, os pêlos na desordem do corpo, os traços e volumes e os músculos e nós.
Nós, a soma do eu e do tu.
O plural, transbordando o copo, o olhar duplicado, as diferenças, a vida comum refletida pelo espelho dos olhos do outro, o elo de qual ligação nos deu o laço de qual sapato, de qual coração vagabundo leviano estamos falando?
Eu permito.
Sabendo de tudo o que eu sei até aqui e ignorando essa trajetória para começar um novo começo. Porque é preciso desaprender de quando em quando, zerar para uma nova temporada, limpar a pista para um novo desfile, cada pessoa é um novo começo.
Não pense que não.
Tenho a soma dos teus olhos nos meus, a soma da tua barba no meu rosto e todo o embolar de cabelos e sons, desde quando o sexo é tão bom e confortável e dura tanto e não deve ter fim e fodam-se as convenções e os papais-mamães e todas as transas sem amor porque para compreender o que é invadir o corpo do outro é preciso amar e desejar tão intensamente sem ter que pedir licença para entrar, sem se sentir constrangida para explodir séculos e vidas dentro do universo e da intimidade e da história do outro.
Entre.
Eu permito.
Eu desejo.
Eu exijo a tua brutalidade sem que queiras me impressionar, apenas satisfazer nossos silêncios. De olhos nos olhos e corpos nos corpos, deslizar de abismos, selvageria de estranhos íntimos

ludelfuego 8:50 PM


terça-feira, outubro 17, 2006
Caio Ricardo Bona Moreira

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O FANTASMA DA ENCICLOPÉDIA
OU
A MAIOR HISTÓRIA DO MUNDO
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Passou a infância lendo. Dizem que morava no interior do Espírito Santo. Na adolescência, previu que seria um escritor. Não um escritor qualquer. Seria o escritor de apenas um livro. Mas não seria um livro qualquer. Seria o livro dos livros. Como um astrólogo, adorava fazer previsões. Guiava-se pelos astros. E talvez tenha sido essa propensão para astrólogo que levou o jovem a adiar ao máximo o começo de sua escrita. Por onde deveria começar? Pela explosão dos astros? Pela exploração dos fatos? Ou pela formulação dos planos?

Enquanto apenas convivia com tal idéia, lia muito. Talvez esse fosse um belo começo. Ele sabia que um livro era sempre um “livro de livros”, como diria Foucault, ou melhor, um fenômeno de biblioteca. Ele lia Foucault. Ele lia outros também. Sem parar. Ele não lia apenas por prazer. Lia por tarefa. Lia. E isso nem sempre dava prazer. Tinha consciência de que esse dever era parte do seu grande projeto. Mas só isso não bastava. Quem sabe no futuro os pesquisadores também se laçariam a gastar os seus dias, tentando descobrir as relações implícitas, travadas entre os personagens de seu livro e os personagens de outros livros. Feito um monge copista, trabalhava metodicamente no esboço de seu grande livro. Era preciso planejá-lo.

Os personagens eram desenhados e descartados. As folhas, com seus esquemas narrativos, logo iam para a lixeira. Partia de premissa de que só o que considerava realmente bom serviria para o seu enredo. Assim, durante muitos anos, várias histórias surgiram e foram embora, o que é lamentável. Alguns personagens que tinham sido enterrados na lixeira, ou queimados no porão da santa inquisição do autor, voltavam para assombrar os momentos da criação, como fantasmas insatisfeitos com a condição de uma estranha morte que nunca esperimentou a própria vida. Desenhava os cenários, pintava as cidades, colecionava objetos que serviriam para as suas descrições. Quanto mais próximo o mundo do livro estivesse do seu, mais fluidas seriam as cenas, mais verídicas as situações. Podemos dizer que inventou o seu próprio mundo a partir do mundo que pensava em criar com base naquele que deveria ser o seu próprio mundo.

O tempo foi passando e sua casa foi transformada numa espécie de laboratório literário. Inspirou-se em Balzac e escreveu nas paredes o nome de todos os personagens e as relações travadas entre eles. E as relações foram tão tamanhas que o escritor precisou construir mais algumas paredes. E quando sobrava parede e faltava personagem, ele inventava os secundários, e os secundários dos secundários. Tudo caminhava para o pleno gozo da mistificação da escritura. A façanha enciclopédica era o seu desejo. Ele buscava a completude.

Sabia que agora faltava pouco tempo de vida. Era preciso começar a escrever o texto. Antes, já vinha escrevendo, mas era uma outra coisa. A sua casa era o seu livro. Um livro feito de casa, ou uma casa feita de livros? Precisava agora começar tudo de novo. E quando percebeu isso, foi fulminado pela conclusão de que não haveria tempo. Precisaria de uma vida inteira, do tamanho daquela que gastou para esboçar toda a obra. Tudo era apenas plano e o plano virou piada. Descobriu que não era nada mais do que um de seus próprios personagens, o principal, aquele que desenhou na parede e que depois percebeu ser muito parecido com ele. Era um personagem que inventava a maior história do mundo. Eu já imaginava que isso acabaria assim. Talvez o escritor tenha previsto que a impossibilidade de escrever o levaria à morte, o que fez com que se ocupasse de uma “entre-escritura”. Forjava a história, rabiscando nas paredes o que seria o livro. No entanto, nunca escrevia. Seu livro era e não era. Apesar de estranhar esse fato, acredito que a história do mundo é e não é, ao mesmo tempo, história. Das estórias, restaram os ratos no porão da santa inquisição do autor e as ruínas das paredes com o rastro de seus personagens.

caio ricardo bona moreira 8:28 AM


segunda-feira, outubro 16, 2006

Fragmento de um romance em estado embrionário...

NÓS
(título provisório)

Elas querem me conhecer melhor, elas querem saber quem eu sou antes de se envolverem, antes de se mostrarem, antes de deixarem que eu enfie minha língua viscosa dentro da boca e da buceta delas. Elas querem saber com quem eu andei, quem me deu, quem eu namorei, uma espécie de certidão negativa, querem meus bons antecedentes antes de me deixarem penetrá-las. Essa mania de assepsia me enoja. Essas mulheres que querem conhecer a gente melhor são limpas como um piso de UTI. Mas no fundo são tão nojentas quanto qualquer puta da Conselheiro Mafra. Todas cagam, peidam, cospem, têm espinhas, estrias, compram os mesmos cosméticos das revistas, vêem as mesmas novelas, usam os mesmos xampus, limpam a bunda com o mesmo papel higiênico. Talvez por isso. E, em geral, esse tipo de mulher não gosta de se depilar. Elas têm pêlos na virilha, nas costas e não freqüentam salões de beleza. É por isso! é isso o que as diferencia das prostitutas, das mulheres de taxista e atendentes de lanchonete. Elas não se depilam, elas tomam muitos banhos, elas lêem livros, elas ouvem boa música. Só porque não querem se parecer com as outras mulheres. Mas no âmago elas se parecem muito, todas gemem do mesmo modo, todas ficam úmidas quando excitadas, o clítoris lateja e pede o calor e a sensação de um toque que só a língua pode dar-lhes. A diferença é que umas pedem para ser lambidas. Outras não. Umas gostam e dizem que têm nojo. Umas querem nos conhecer melhor. Outras não esperam. São instintivas, exalam progesterona já aos quinze, outras controlam os instintos, precisam estudar, ler livros, passar no vestibular. É isso que sectariza a nossa sociedade. Enquanto umas estarão grávidas aos dezoito, outras estarão indo morar na capital fazer faculdade de farmácia. Porque teimamos em ficar com estas e não com aquelas? Por que o homem escolhe um tipo de mulher para ser a mãe dos seus filhos e não outro? Por que aquelas preferem os jogadores de futebol, os motoristas, os ambulantes e não os cdfs das humanas? Por que todas as mulheres preferem esse tipo de cara? Porque eles suam, eles jogam futebol, eles sabem consertar o carro, eles não lêem manual de instruções, eles brigavam na escola. Eu leio livros, vejo filmes, ando de ônibus, detesto fazer força, e isso não me faz suar. E mulher não deixa de ser um animal, elas gostam de cheiro, de suor, de pêlos, de grosseria.

L. M. de Souza 11:56 AM


sexta-feira, outubro 13, 2006
:..:I ..:I I..-.. .::":.., :.:;

(do braile: eu te amo)
Você faz tudo errado, diz coisas que eu não quero ouvir, não preciso ouvir e admira minha força. Reclama da sua má sorte, fala da solidão e que precisa de um cachorro, me conta que não tem amigos e que ainda a ama mas vai passar, pede licença, vai ao banheiro e quando volta é nítido os olhos e o nariz vermelhos, um pedaço de lenço de papel amassado na mão e no rosto a sombra de uma lágrima que passou por ali.
Sua dor, dói mais em mim...
*
Marte na Casa 7
"É tudo uma questão de você aprender a perceber que toda a força que o outro tem em sua vida foi simplesmente dada por você mesmo"
*
Em tempos de dor é conveniente evitar certas (ou quase todas) músicas, alguns filmes, lugares, certos cheiros, ler estritamente o necessário, evitar os melhores amigos que tem as melhores intenções e que sempre te levam para afogar as mágoas, é conveniente não beber, não usar substâncias alucinógenas e nem ouvir rádio, ir dormir cedo, mudar itinerários, pois tudo faz doer mais, tudo provoca aquela náusea que te derruba no chão de joelhos, tudo faz embaçar seus olhos, tudo descompassa o coração, feito isso é contar com o tempo, que ao contrário que dizem não cura nada, o tempo só tira o incurável do centro das atenções.
*
Você é um daqueles grandes amores
que por não podermos amar
guardamos no peito
e chamamos de saudade...
*
Os dias cinzas e frios como seus olhos
Arrepio no corpo
Gelo na alma
Esperança que seu sorriso a qualquer momento ilumine esses dias
e traga o calor do sol
tão escasso nos últimos tempos
*
Eu tinha uma porção de coisas pra falar, coisas que geralmente não se costumam falar e também queria falar de coisas que se diz todo dia, queria falar das coisas erradas que fiz por esses tempos, queria falar do calor que não chega, da gripe infernal, do vazio que ele deixa, nas mensagens doces, doces, doces que me fazem acreditar que, queria falar que não posso mais acreditar que, queria contar da minha filha que cada dia mais me norteia, queria falar da falta que eu sinto de algumas coisas que se forem ditas causariam um certo espanto, queria falar o que penso, o que ainda não pensei, das coisas difíceis de serem ditas, queria falar de uma decisão, queria falar desse medo que tenho de penetrar naquilo que não sei se tenho coragem de viver, queria contar da sua coragem, da minha inveja, queria falar sobre os "nãos" que a vida nos enfia goela abaixo e a gente tem que digerir, queria contar do silêncio que corrói, do sorriso daquele estranho, daquela mão que cuidou de mim, queria falar sobre o que me fascina, de quem não gosto, queria contar que às vezes choro, grito com os bichos e sou horrível, queria dizer o que me atormenta e o que me liberta, queria falar o quanto penso em você, queria contar das minhas vontades mais mesquinhas, olha, eu tinha uma porção de coisas pra dizer, mas como já li em algum lugar: O que me move não pode ser dito...
*
Como você escolhe os caminhos da sua vida?
Como vai em frente quando, em seu coração, você começa a entender que não existe um caminho de volta?
*
Porque vejo culpa nos teus olhos, porque sei do arrependimento nos teus gestos, porque você tem o seu caminho, porque não se vive duas vidas, porque me sinto intrusa, porque não se ama duas pessoas, porque seu abraço é doce, seu beijo é doce, seu olhar é doce, porque dói todas as vezes que você vai embora, porque dói todas as vezes que você chega, porque não dá pra continuar, porque eu não quero desistir, porque às vezes ainda choro, porque é tão bonito, porque estou cansada, porque preciso me libertar, porque preciso te libertar... porque quero deixar você ir, sem volta, sem culpa, sem saudade, sem mistério, sem um último beijo...

ludelfuego 1:10 AM


terça-feira, outubro 10, 2006

Caio Ricardo Bona Moreira

HOTEL STRADA
.
.
Quando venho para cá, fico hospedado numa pousada aconchegante, perto da rodoviária. O local é administrado por um simpático casal de velhos paulistas. Hoje, o seu Cláudio disse que não havia nenhuma vaga. Lamentou a minha situação e prometeu ligar para alguns hotéis da cidade. Poderia resolver o meu problema. Eu sabia que não. Sentei e esperei.

Alguns minutos depois, o dono da pousada trouxe um papel que indicava: Hotel Strada – rua Xavier Monteiro – número 642.

Guardei a anotação, escrita com má caligrafia (por que fico prestando atenção nessas coisas?), agradeci e saí.

Transformei meu trabalho num pesadelo. Cansei de viajar sempre para o mesmo lugar. Cada vez, até chegar aqui, o tempo parece inventar um outro espaço. É a estrada que se expande, ou minha cabeça que não se comporta? Só venho aqui por uma coisa.

Entrei no hotel.

Para que descrever os lugares nesse texto que deve ser pequeno? Toda descrição é uma economia. Nunca gostei de fazer economias, por isso não descrevo, entendeu?

Enquanto espero a velha recepcionista voltar do banheiro (eu já sabia que ela estava no banheiro, ou não sou o escritor dessa história?), escrevo bobagens nesse papel.

Voltou. Ofereceu uma xícara de café. “O hotel não existe mais! Fechamos. Muito trabalho”. Por que é que no sonho sempre sei o que as pessoas vão dizer?

Eu tenho uma teoria: as pessoas adoram rabiscar papéis. É uma forma inventar seu próprio mundo. Se não for isso, talvez seja outra coisa. Falta do que fazer. Eu sempre escrevo no primeiro papel que cai na minha mão.

“O sinhô não liga de eu botar esse pozinho branco no café não? É pra REAL-çá o sabor”.

Sempre achei a filha do seu Cláudio a mulher mais bonita dessa cidade. E ela nem sabe que só estou aqui por ela. Minhas viagens já acabaram. De que adiantava ficar no hotel Strada? Hoje, o seu Cláudio contou que ela casou com o veterinário da cidade. Vaca! Não volto mais aqui.

“Tudo bem!”

Enquanto tomo o café, pego o papel e volto a anotar.

A velha recepcionista tem uma verruga na testa. Sei que ela está me olhando. Sinto que estou tonto. Não paro de escrever.

“Mistérios da meia-noite que voam longe / que você nunca / não sabe nunca / se vão se ficam / quem vai / quem foi”.

Quando escuto uma música que gosto, sinto-me em casa. Por isso aceitei o café.

Escuto um batuque assustador nos fundos da casa. Eu sei, só pode ser da minha cabeça. Estou tonto, mas não paro de escrever. Sei muito bem o que estou fazendo. Foi essa maldita velha com sua boca de crocodilo, que agora sorri para mim. Acho que estou ... estou, estou sim. O seu Cláudio me mandou para o lugar errado. Já nem sei dizer se sou feliz ou não.

“Merda!” Estou suando.

Quando era pequeno, gostava de ler todos os livros da série vaga-lume. Em 1959, Resnais lançou Hiroshima Meu Amor. A palavra pão rima com mão. Eu conferi se a porta lá de casa tava fechada? Preciso terminar de ler o livro de John Fante. Como era mesmo o nome do livro? “O que é isso?”. Estou zonzo. Eu grito para a velha: “O que está acontecendo?”. De dentro de seu corpo gordo, pula uma voz horrível:

“Pergunte ao pó!”.

caio ricardo bona moreira 8:17 AM


segunda-feira, outubro 09, 2006
Luisandro - entre umas e outras

Entre umas e outras

A voz dela flutuava no ar como a branca fumaça do cigarro que fumava. Solta, ocupando os espaços. Essa voz diluía-me. Trazia o gosto antigo que eu possuía em ouvir as suas histórias tristes e vadias. Tristes como as mulheres tristes.
Encostei o cigarro no cinzeiro. Beijei-lhe o pescoço; senti o seu gosto, puro; sorvi seu cheiro que avassalador penetrava em minhas narinas; envenenado, escondi meus dedos entre seus cabelos orientais, finos de perdição, lisos como um escorregar-se – ela ama minhas comparações:
- Espera...
- Não.
- Já?! Bebe mais um gole de vinho, bem.
Queria bebê-la. Colocá-la entre meus dentes. Sentir a sua carne doce machucar minha gengiva. Desvendar as veredas do corpo. Para esvaziar da minha memória o cheiro de Gisele, que ainda teimava em perturbar minhas narinas.

ps. tô chato, vi "o maior amor do mundo" e o "Libertino" e não gostei, apesar da atuação do Deep e da Samantha Morthon serem bárbaras.


L. M. de Souza 12:05 PM


sexta-feira, outubro 06, 2006
Do Orkuticídio

Sou aquariana, tenho uma solidão inerente e necessito dela, sou uma ermitã nata e preciso me isolar para organizar sentimentos, idéias, me incomoda essa invasão, essa devassa virtual na minha vida, eu preciso dos meus segredos guardados e meus mistérios não desvendados, preciso evitar dores desnecessárias, não preciso e não quero tanta informação. Tem coisas que não devem sair do lugar, pessoas que devem ficar naquele tempo mágico de adolescente, outras na infância, outras no ano passado, para o encanto não se perder e as lembranças não perderem a forma, por isso saí do orkut, deletei 60% dos meus contatos do messenger, desativei emails inúteis etc... não quero mais ter a minha vida devassada, não quero mais que as pessoas saibam de cara onde estou, do que eu gosto, o que eu leio, se moro sozinha, se fumo, se bebo, quanto eu bebo, se eu dou ou deixo de dar, que músicas ouço, que filmes vejo, quem são meus amigos, o que eles me escrevem, não quero mais receber mensagenzinhas ridículas de anjinhos, ursinhos, links fofos e convites para comunidades esdrúxulas de gente que eu mal sei o nome, cantadas baratas, ou papinhos sem nexo com pessoas que falam “axim” ou que escrevem “diveiz”. Isso me torna tão definitiva, tão definida. Quero mais cheiro, toque, pele, voz, sons, quero mais descobertas, mais surpresas, mais mistérios, quero a vida mais palpável, mais olho-no-olho, quero ler coisas que eu possa pegar, talvez até falar mais pelo telefone, ouvir vozes, pausas de respiração, quero mais essa vida do lado de cá. Eu quero estar off

ludelfuego 12:34 AM


terça-feira, outubro 03, 2006
Caio Ricardo Bona Moreira

O PRIMEIRO CHARUTO DA ÚLTIMA CAIXA

No dia 15 de janeiro de 1928, meu avô, o português Manuel Moreira, decidiu embarcar para o Brasil. Pela última vez, abriu a tabacaria, que tinha sido herdada de seu pai. O pai, por sua vez, também herdara de seu pai. No outro dia, o estabelecimento seria transformado numa confeitaria. O que se passou na tarde derradeira marcou profundamente a vida do velho Moreira.

O último cliente, um senhor magro, com óculos de aro fino, chapéu preto e terno bem passado, comprou a última caixa de charutos. Meu avô, que não se dava facilmente a conversas triviais, demorou a responder a pergunta do homem. “Sim, estou triste”. Aos poucos, abriu o coração amargo, confessando a sua infelicidade. Portugal não era mais o país do futuro. A esperança tinha sido vencida pelo medo: “Não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada”.

O cliente tentou consolar o velho Manuel. Em vão. “Tenho certeza de que este país está falido, pá!”. O freguês sorriu e falou: “Não tenha tanta certeza. Em todos os manicômios há malucos com tantas certezas. Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?”. Meu avô frisou os olhos, como sempre fazia toda vez que queria enxergar melhor a falta de sentido das coisas, tentando descobrir se Estêves, que estava parado na sua frente, era um poeta, um filósofo, ou algo do gênero. Meu avô não acreditava em astrologia, quiromancia, filosofia, poesia, democracia. Ele sabia que os homens precisavam acreditar em alguma coisa para que a vida pudesse ser mais do que uma pequena caixa de charutos. Tentou agarrar uma resposta para o cliente, que mais parecia alguém que usava máscaras só para esconder a sua grande melancolia. Por um instante, o velho Manuel pensou que o mundo era uma fumaça de charuto e que toda a vida, de uma hora para outra, poderia evaporar, perdendo-se na imensidão do abismo das horas.

O cliente acendeu o primeiro charuto da última caixa. Pela primeira vez, o dono da tabacaria apreciou com prazer o cheiro do tabaco. Ele preferiu não presentear o cliente com uma resposta banal, como todos os seus dias em Portugal. Deu-lhe o troco.

O homem, que não tinha metafísica, mas filosofava, saiu da tabacaria. Sem se despedir, meteu o troco na algibeira das calças. Atravessou a rua e entrou no hotel, que ficava em frente à loja do meu avô.

Manuel fechou pela última vez as portas do comércio. Como que atraído por um olhar distante voltou-se para uma das janelas do hotel e avistou um outro cliente, Fernando, o circunspeto. Acenou-lhe. Da janela, o cliente gritou-lhe adeus. No Brasil, a esperança seria reconstruída. Pela primeira vez, sorriu para o cliente. Os dois, ou três, tinham, naquele momento, todos os sonhos do mundo.

caio ricardo bona moreira 8:18 AM


segunda-feira, outubro 02, 2006
hai-quases

De tanta pirraça
Um dia
perdi a graça

Mentira ou verdade?
cada qual
com sua metade.

Sob o véu das veleidades
maroto espio
o final da tarde.

Fantasia e realidade
cá eu fico
com as duas metades.

Mão no olho
pra ver se
dele tiro o sono.

Num dia de mentira
vou viver
as minhas verdades.

Masturbo a mente
pra ver se me
aparece um pensamento decente.


concentrado

De dentro do meu
centro
me olho pra dentro.

L. M. de Souza 3:17 PM



Literatura, lixeratura, Música, Cinema, Teatro e outros bordéis.

Adriana Scarpin- domingo
Luisandro - segunda-feira
Caio Ricardo- terça-feira
Juliana - quinta-feira
Lucila - sexta-feira
Flora - sábado
orig.obsc.; talvez relacionado com a raiz de cambada, com alt. de sufixo para -al 'grande quantidade' e depois grafado com -u, seguindo a pronúncia do -l final, predominante no Brasil, *os cambal > *o scambal > o escambau, ou ainda da raiz de 1cambo/1camba, por processo semelhante; levantou-se ainda a possibilidade de o voc. originar-se de *os cambau > *'s cambau > *scambau > escambau, hipótese que se poderia admitir do ponto de vista da fonética sintática, mas que seria de difícil sustentação do ponto de vista semântico.pode significar ao mesmo tempo: algo que não é verdade, grande quantidade, uma coisa incrível ou a expressão "e muito mais" ... e o escambau
(...)
ADRIANA SCARPIN

Eu existo. Ou não. Visite seu blogue.

CAIO RICARDO

Eu estou poemando, logo existo, ou pelo menos insisto. Essa é uma das minhas meditações, uma espécie de mantra semântico, esse é meu canto assintático. . Visite seu blogue.

FÁBIO CEZAR

Carioca, graduado em Letras, é poeta, músico e professor. Participou como guitarrista e compositor em bandas de rock na cena underground. Escreve em colaboração a revistas, jornais e sites culturais. Editou o zine literário Falárica em edições eletrônica e panfletária, através do qual divulgou sua poesia e de outros poetas e prosadores. Mantém o blog Tediário Poetético .
, laboratório poético onde expõe suas "hipatéticas experiências eletro-estéticas". É autor de Polivocalia (e-book, ed. do autor), além de outros poemas, artigos, ensaios, crônicas e uma peça de teatro inéditos. Visite seu blogue ou site.

FLORA HANNAH

Flora Hannah ou Graciele Tules, a Graci?! Você é quem sabe. Flora é a criação, Graci é a criatura, além de uma pretensiosa aspirante de professora, fotografa e poetisa. Ela nasceu em 1981, em Joinville, e passou a infância ajudando seu pai a arrumar o encanamento entupido. Hoje passa os dias a contar e assassinar moscas. Visite seu blogue

JU REPCHUK

Olho o tempo passando pela janela do meu quarto. Tenho teorias malucas. Ando lendo revistas em excesso. Ando rindo em excesso. Ando grávida. Ando professora de inglês. Ando a pé. Ando mascando o chiclete. Paranaense cosmopolitana. Otimista com as pessoas. Comigo mesma. Aprendendo o manuseio correto das palavras. Conhecendo novas bandas de rock. Apaixoanda por lecionar, por cantar, por namorar... Prefiro o PC à TV. Adepta do widescreen e linguagem original no vídeo. Aprendendo Francês. Tendo uma queda no Alemão. Ainda tenho muito que aprender do Inglês. Da vida.

LUCILA

Pinto (ops), bordo, chuleio, crocheteio e tricoteio, não dirijo e nem ando de bicicleta, tenho talento pra finanças e pro desenho, encanto mais do que canto e a única coisa que quero aprender a tocar é a alma das pessoas. Sobre artes não sei muito, menos ainda da arte de amar. Leio muito menos do que gostaria e muito mais do que as pessoas que convivo. O sol em aquário faz com que a tecnologia e o novo guiem minha vida, a queda que tenho pelo belo, pelo sofisticado e pelo erótico, libra explica. Amo os animais até mesmo aqueles que partiram meu coração. Tenho um sorriso farto e fácil, boca bonita, lágrimas escassas, um bom humor praticamente inabalável e dificuldade de chorar apesar das dores. Me apaixono todos os dias, quase sempre pela pessoa errada, amar amei pouco e fui amada por muitos, não sou uma pessoa de fácil convívio apesar da primeira impressão. Não ligo para presentes, mas sou movida a elogios. Gentilezas e educação me conquistam instantaneamente. Prefiro lambidas à mordidas, mas não me provoque... Visite seu blogue.

LUISANDRO

Catarinense de nascimento, Paranaense de coração. Professor, pô(eta!), apaixonado por Dalton Trevisan, Fernando Pessoas, Woddy Allen e é lingüista também só pra variar. Desvive em Florianópolis (infelizmente não na ilha). Só não fugiu com o circo porque a única coisa que saberia fazer é alimentar os animais. Quer publicar um livro e fazer um filho (um dia desses de chuva, quem sabe?). Visite seu blogue.
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